Moradores de São José do Belmonte, no Sertão Central, e de localidades próximas, participaram, na manhã desta terça-feira (12), da consulta pública para criação de uma Unidade de Conservação (UC) na Serra Comprida, localizada no município. A implantação da nova UC é uma iniciativa do Governo de Pernambuco voltada para a preservação da Caatinga, bioma fundamental para a conservação do semiárido.
O encontro, realizado na quadra da Escola Napoleão de Araújo, em Bom Nome, distrito de São José do Belmonte, foi coordenado representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas), Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), instituição responsável pelos estudos técnicos. Foi a primeira das nove consultas voltadas para a instituição de seis novas UC’s em território pernambucano. As contribuições da população ainda podem enviar sugestões para consultapublica.serracomprida@semas.pe.gov.br por 15 dias úteis.
Uma dinâmica de apresentação deu início a consulta, seguida pela formação da mesa de coordenação. Logo após houve a explanação das atividades do projeto, composta por planejamento, mobilização, elaboração de estudos técnicos e oficinas, etapas realizadas antes da consulta. Depois, representantes da Cepan fizeram a apresentação do projeto com benefícios, impactos, abrangência e possibilidades de utilização. Logo após, foi aberto para perguntas dos participantes, que ficaram em torno da abrangência da UC, questões legais e as possibilidades de utilização, a partir da oficialização como UC.

Para o diretor de Biodiversidade e Unidades de Conservação da CPRH, Artur Teixeira, considera que a consulta “é um momento de grande importância, quando a população é chamada para tomar conhecimento e contribuir para um melhor modelo de conservação para a área”. A gerente-geral de Biodiversidades e Florestas da Semas, Maíra Braga, reconhece a necessidade da consulta “para diálogo com as comunidades e organizações que atuam na região e compreendam as características, o que significa e o que proporciona uma Unidade de Conservação para a preservação e para as populações do território”.
A proposta sugere criar uma Área de Proteção Ambiental (APA) na Serra Comprida, com extensão de 1.725 hectares, inserido no programa “Criando Unidades de Conservação no Semiárido Pernambucano”. Conforme o estudo, a zona de abrangência possui mais de 96% de área coberta por vegetação, 290 espécies de plantas, 208 espécies de animais, além de seis comunidades quilombolas e três assentamentos rurais no entorno. Com as novas Ucs, a gestão Raquel Lyra amplia de 16 para 22 Unidades no bioma Caatinga, que ocupa 84% do território pernambucano, conforme a Plataforma Ecológico-Econômica de Pernambuco.
As discussões sobre criação de Unidades de Conservação seguem com os moradores de Carnaíba, nesta quarta-feira (dia 13), e em Quixaba, na sexta-feira (dia 15), voltadas à UC Serra da Matinha. Com a população de Santa Cruz da Baixa Verde, será dia 19, Triunfo, no dia 20, e Calumbi, no dia 21, sobre a UC Serra do Carro Quebrado. Todos os encontros acontecerão no período da manhã. Em junho, serão realizadas outras três consultas públicas: em Santa Cruz, Parnamirim e Santa Maria da Boa Vista (UC Serra da Seriema); em Orocó (UC Serra dos Almirantes) e em São José do Belmonte e Serra Talhada (UC Serra Verde).