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RVS Mata do Toró

5 min. de leitura

O Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Mata do Toró, primeiramente, foi definido pela Lei 9.860 de 12 de agosto de 1986 como Reserva Florestal ou Biológica visando à proteção das áreas necessárias dos mananciais de interesse da Região Metropolitana do Recife.

Todas as Áreas de Reserva Florestal e Biológica foram recategorizadas como Reservas Ecológicas pela Lei 9.989, de 13 de janeiro de 1987. Em 2011, mediante a Lei n° 14.324, a área foi recategorizada como Refúgios de Vida Silvestre. Em tal instrumento, mantêm-se as condições gerais de utilização e manejo dadas na redação das Leis citadas anteriormente, assim como as restrições e normas estabelecidas especificamente para cada categoria de unidade de conservação.

O RVS Mata do Toró possui área de 80,70 ha. A criação dessa unidade atende a necessidade de preservação de remanescentes de Floresta Atlântica para a manutenção de populações de espécies atualmente mais raras no Estado de Pernambuco, a exemplo do Pau-Brasil (Paubrasilia echinata), identificada no RVS.

Remanescente de Mata Atlântica, o Refúgio situa-se no município de São Lourenço da Mata, na margem sudeste da barragem de Tapacurá, ocupando uma área de 80,70 ha, inserido em propriedade particular. Insere-se na bacia hidrográfica do rio Capibaribe.

Algumas pressões foram verificadas neste RVS sobre os recursos hídricos, destacando-se aquelas provenientes do entorno imediato, sendo a utilização das margens para agricultura e utilização indiscriminada de fogo para limpeza de terreno as mais comuns. As atividades de pesca e uso do RVS por comunidades próximas também é verificada podendo causar danos em caso de acidentes com combustível ou mesmo vazamento de óleos dos barcos que passam por ali.

A mata do Toró está localizada na margem sudeste da barragem de Tapacurá abrangendo propriedades públicas e privadas, com área de 80,70 ha. O seu relevo predominante é de encostas de declividade acentuadas e sua importância de conservação está classificada como “Extremamente Alta e Muito Alta”.

As espécies arbóreas características do dossel foram Handroanthus serratifolius (Bignoniaceae), Pterygota brasiliensis (Malvaceae), Paubrasilia echinata, Chamaecrista ensiformes, Dialium guianense e Pterocarpus rhorii (Fabaceae), Psychotria capitata (Rubiaceae), Gustavia augusta (Lecythidaceae) e Actinostemon verticillatus (Euphorbiaceae). No componente arbustivo-subarbustivo as espécies mais importantes pertencem as famílias Rubiaceae, Melastomataceae, Erythroxylaceae e Euphorbiaceae. O epifitismo foi representado principalmente pelas espécies Monstera adansonii (Araceae), Aechmea fulgens e Aechmea lingulata (Bromeliaceae).

Os estudos conduzidos no RVS Mata do Toró permitiram registrar dezesseis espécies de mamíferos, quarenta e uma de aves, onze de répteis e sete de anfíbios. A proximidade desta área com a represa do Tapacurá determina uma alta incidência de espécies aquáticas e/ou associadas a ambientes úmidos.
Somente para aves, por exemplo, conta-se nesta área com a ocorrência de nove espécies aquáticas (a saber, Amazonetta brasiliensis – ananaí, Podilymbus podiceps – mergulhão-caçador, Nannopterum brasilianus – biguá, Butorides striata – socozinho, Ardea alba – garça-branca-grande, Egretta thula – garça-branca-pequena, Gallinula galeata – galinha-d’água, Jacana jacana – jaçanã e Megaceryle torquata – martim-pescador-grande), além da capivara (Hydrochaerus hydrochaeris) e da lontra (Lontra longicaudis) dentre os mamíferos e do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) e do cágado-do-Nordeste (Phrynops tuberosus) dentre os répteis.

Por sua vez, nesta área destaca-se também outro registro do pequeno anfíbio Pseudopaludicola pocoto, o qual representa uma adição às espécies de vertebrados registradas para o município.

A fauna aquática apresenta-se associada essencialmente às margens do RVS junto à represa. Já no remanescente propriamente dito, uma parcela significativa da fauna apresenta associação com o ambiente florestal. Dentre as aves, por exemplo, pelo menos oito espécies são indicadores de ambientes ainda com boa estrutura florestal (Forpus xanthopterygius – tuim, Pyriglena leuconota – papa-taoca, Basileuterus culicivorus – pulapula, Myiothlypis flaveola – canário-do-mato, Coereba flaveola – cambacica, Tangara palmarum – sanhaço-do-coqueiro, Tangara sayaca – sanhaço-cinzento e Euphonia violacea – gaturamo), enquanto outros seis mamíferos (Bradypus variegatus – preguiça-bentinha, Callithrix jacchus – sagui-de-tufo-branco, Cyclopes didactylus – tamanduá-seda, Eira barbara – irara, Nasua nasua – quati, Dasyprocta sp. – cutia) são exclusivos desse ambiente. Assim, embora a maior parte da fauna registrada nesse RVS seja adaptada a condições de alteração e/ou possa ser encontrada em áreas abertas, a presença das espécies acima denota a relevância também desta área para a manutenção de populações de espécies atualmente mais raras no Estado de Pernambuco.

O RVS apresenta proximidade com outras Unidades de Conservação da bacia do Tapacurá, proporcionando conectividade ainda que seja via APP de rios, o que pode contribuir com a formação de corredores. Sendo um remanescente estabelecido na região onde a cana-de-açúcar está estabelecida desde a época da colonização, considera-se que sua relevância em termos de serviços ecossistêmicos prestados é fundamental para a bacia. Ainda, a existência e reprodução de espécies da flora e da fauna e a dinâmica das comunidades podem ser consideradas “termômetros” dos reflexos das mudanças climáticas sejam a nível local, regional ou global.

 

Endereço da sede provisória e Contatos
Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA .
Av. Gen. San Martin, 1371 – Prédio Central – Ludoteca/Herbário – Bairro do Bongi Recife PE.
joselma.figueiroa@cprh.pe.gov.br
Contato: (81) 99488-4453

Conheça o Plano de Manejo da RVS Mata do Toró
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